segunda-feira, 30 de julho de 2012

Primeiro show do Festival Latinidades sacudiu a Praça do Museu


Mas não foi só o show que movimentou os presentes. O debate sobre o empoderamento e a aceitação da estética da mulher negra, também estiveram em pauta durante o show



No primeiro dia de show do festival criado para celebrar a resistência da mulher negra na América Latina e no Caribe, a palavra de ordem era: "Empoderamento da Mulher Negra, Já!". Esse foi o discurso da cantora Paula Lima, do Bloco Afro Ilê Ayê e dos DJ's do grupo Criolina, que animaram a festa do dia 25 na Praça do Museu, em Brasília. O evento fez parte da quinta edição do Festival Latinidades, que acontece até domingo (29).


Paula Lima, com sua marca registrada na exuberância dos cabelos, incentivou a plateia com frases, rimas e músicas, a assumir a identidade negra. "Alisar pra quê?", questionou a cantora após entoar "Negro do Cabelo Bom". "Muita gente implica com meu pixaim, mas o que implica é que o cabelo é bom", cantou.  "Alisa não! É lindo assim", foi mais uma mensagem da cantora, numa evidente afirmação do propósito do festival.

Enquanto Paula Lima cantava sua black music, ali bem perto, um grupo de mulheres negras comemorava suas recentes conquistas. Denise Porfírio contando sobre suas frequentes idas ao Rio de Janeiro para sua pós-graduação em História do Negro, Joceline Gomes festejando a nomeação como gerente de Comunicação do Governo do Distrito Federal e, juntas, aplaudindo Joanna Alves pelo estágio no jornal Correio Braziliense.


"Ser contratada no jornal de maior circulação de Brasília, numa editoria onde só tem mais um funcionário negro, é um sinal de que as coisas estão mudando. É a mulher negra conquistando seu espaço", afirmou Joana, estudante de jornalismo.

Por volta da meia noite, foi a vez do bloco afro baiano Ilê Ayê subir ao palco e encantar com a combinação da batida forte dos seus tambores e a leveza da dança de centenas de "Deusas do Ébano". "É muito emocionante ver um bloco afro, cantando no centro da capital do país que eu sou o mais belo dos belos. Eu sou uma Deusa do Ébano", disse a estudante Natalie Oliveira que aproveitava o evento.

Soul, funk e jazz
Na sequência, os DJ's da banda Criolina animaram a festa tocando muito soul, funk, e jazz. Hoje, os DJ's voltaram a cena ontem, além das batalhas de Rimas, os MC's Júnior e Leonardo, do Rio de Janeiro, e o rapper GOG, que lançou seu novo show: Iso 9000 do Gueto. Até o encerramento, ainda passaram pelo palco Puerto Candelária, da Colômbia, a cantora revelação do ano, Gaby Amarantos, do Pará, o quarteto Marakamundi e Ellen Oléria, de Brasília, além da cubana Yusa.

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) apoia a quinta edição do Festival Latinidades, que reúne representantes do governo e da sociedade civil para discutir o enfrentamento ao racismo e sexismo. Amanhã e domingo (28 e 29) acontece a "Feira-Preta" - focada no afronegócio, exposição de produtos e serviços, estimulando o empreendedorismo da população negra. A entrada para todos os eventos é gratuita.


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