Primeiro show do Festival Latinidades sacudiu a Praça do Museu
Mas
não foi só o show que movimentou os presentes. O debate sobre o
empoderamento e a aceitação da estética da mulher negra, também
estiveram em
pauta durante o show
No
primeiro dia de show do festival criado para celebrar a resistência da
mulher negra na América Latina e no Caribe, a palavra de ordem era:
"Empoderamento da Mulher Negra, Já!". Esse foi
o discurso da cantora Paula Lima, do Bloco Afro Ilê Ayê e dos DJ's do
grupo Criolina, que animaram a festa do dia 25 na Praça do Museu, em
Brasília. O evento fez parte da quinta edição do Festival Latinidades,
que acontece até domingo (29).
Paula
Lima, com sua marca registrada na exuberância dos cabelos, incentivou a
plateia com frases, rimas e músicas, a assumir a identidade negra.
"Alisar pra quê?", questionou a cantora após
entoar "Negro do Cabelo Bom". "Muita gente implica com meu pixaim, mas o
que implica é que o cabelo é bom", cantou. "Alisa não! É lindo assim",
foi mais uma mensagem da cantora, numa evidente afirmação do propósito
do festival.
Enquanto
Paula Lima cantava sua black music, ali bem perto, um grupo de mulheres
negras comemorava suas recentes conquistas. Denise Porfírio contando
sobre suas frequentes idas ao Rio de Janeiro
para sua pós-graduação em História do Negro, Joceline Gomes festejando a
nomeação como gerente de Comunicação do Governo do Distrito Federal e,
juntas, aplaudindo Joanna Alves pelo estágio no jornal Correio
Braziliense.
"Ser
contratada no jornal de maior circulação de Brasília, numa editoria
onde só tem mais um funcionário negro, é um sinal de que as coisas estão
mudando. É a mulher negra conquistando seu
espaço", afirmou Joana, estudante de jornalismo.
Por
volta da meia noite, foi a vez do bloco afro baiano Ilê Ayê subir ao
palco e encantar com a combinação da batida forte dos seus tambores e a
leveza da dança de centenas de "Deusas do Ébano".
"É muito emocionante ver um bloco afro, cantando no centro da capital
do país que eu sou o mais belo dos belos. Eu sou uma Deusa do Ébano",
disse a estudante Natalie Oliveira que aproveitava o evento.
Soul, funk e jazz
Na
sequência, os DJ's da banda Criolina animaram a festa tocando muito
soul, funk, e jazz. Hoje, os DJ's voltaram a cena ontem, além das
batalhas de Rimas, os MC's Júnior e Leonardo, do Rio
de Janeiro, e o rapper GOG, que lançou seu novo show: Iso 9000 do
Gueto. Até o encerramento, ainda passaram pelo palco Puerto Candelária,
da Colômbia, a cantora revelação do ano, Gaby Amarantos, do Pará, o
quarteto Marakamundi e Ellen Oléria, de Brasília,
além da cubana Yusa.
A
Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) apoia a
quinta edição do Festival Latinidades, que reúne representantes do
governo e da sociedade civil para discutir o enfrentamento
ao racismo e sexismo. Amanhã e domingo (28 e 29) acontece a
"Feira-Preta" - focada no afronegócio, exposição de produtos e serviços,
estimulando o empreendedorismo da população negra. A entrada para todos
os eventos é gratuita.



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